Terapia de regressão: por que todo psicanalista deve conhecer?

Nascida para analisar e compreender o homem como sujeito do inconsciente, a psicanálise tradicional usa como métodos a associação livre ou espontânea e a análise dos sonhos. No entanto, a Psicanálise Integrativa adota outras técnicas além das preconizadas pela Escola Freudiana, como a terapia de regressão, vista como uma manifestação do inconsciente.

Pacientes com fobias inexplicáveis, que atrapalham seu cotidiano, podem identificar e entender como essa situação aconteceu em sua memória e superar o incômodo com a ajuda de um profissional.

Sob o ponto de vista médico, a regressão pode ser vista como uma demonstração do inconsciente e pode modificar comportamentos compulsivos e ansiosos. Por isso, a terapia é recomendada para qualquer tipo de pessoa, independente de religião ou crença, já que não é preciso, por exemplo, acreditar em vidas passadas.

Para que serve?

De acordo com a psicanálise, o inconsciente grava todas as situações vividas na memória, que podem ser distorcidas de forma que sejam piores do que realmente aconteceram e levarem o indivíduo a interpretar esses eventos traumáticos como uma experiência pendente. Esse fato pode ser “revivido” a cada momento semelhante no presente.

A terapia de regressão ajuda o paciente a ver a situação novamente, sob um novo ângulo, para que perceba que não é tão grave e se liberte do trauma. Um exemplo é uma pessoa que tem medo de água por causa de um eventual afogamento, mas pode ver que a situação não foi tão prejudicial quanto ele acreditava.

Como funciona?

Ao procurar um terapeuta, o paciente tem duas sessões de entrevistas antes da regressão propriamente dita. São analisadas características de comportamento emocional, sentimental e físico, além da definição dos objetivos para o tratamento.

A partir da terceira sessão, o paciente passa à meditação, a fim de focar sua consciência e entrar num leve estado de hipnose para trazer à tona memórias do passado, que o bloqueiam emocionalmente, para que possa perceber e sentir o que se passou.

Há casos em que o paciente visualiza as situações como espectador de suas ações, o que permite ter outro ponto de vista sobre a situação para compreender melhor o que de fato ocorreu e superar os traumas deixados pela experiência.

Por que é importante para o terapeuta?

Estar aberto às diversas formas de conhecimento do inconsciente, mesmo as que divergem do caminho tradicional, como a técnica de livre associação e a análise dos sonhos, abre um mundo de possibilidades ao psicanalista, já que é mais uma forma de lidar com os problemas relacionados a traumas que prejudicam o cotidiano do paciente.

No caso da Psicanálise Integrativa, a proposta é usar diversas técnicas para conhecer o inconsciente, que vão além das freudianas. Por isso, essa escola reconhece técnicas como a terapia de regressão, acupuntura, florais, hipnose e cromoterapia, além da neurolinguística e tudo o que facilite a abordagem do inconsciente.

Esse tipo de abordagem permite a aproximação entre terapeuta e paciente, pois é possível escolher o que deixa cada um mais confortável para chegar ao objetivo traçado sem causar mais traumas.

O aprofundamento das diversas técnicas para sanar os traumas do paciente pode ampliar os tipos de terapias oferecidas e deixar o trabalho mais completo e eficiente, já que nem todos ficam tranquilos com abordagens que mexam com lembranças guardadas.

Como funciona a técnica de livre associação de Freud?

Criada pelo pai da psicanálise, essa ferramenta consiste em incentivar o paciente a expressar tudo aquilo que estiver passando pela sua mente durante uma sessão de terapia, sem filtros, seleções ou intervenções.

Desenvolvido e aperfeiçoado ao longo dos anos por Freud, a técnica de livre associação substituiu progressivamente os métodos de hipnose e catártico utilizados no início de sua atuação na área.

Isso porque o psicanalista observou que a hipnose oferecia resultados parciais e transitórios, enquanto a sua técnica eliminava as resistências do paciente. Assim, o acesso aos materiais inconsistentes, como lembranças, representações, memórias e afetos era um processo muito mais confiável. Além disso, ao contrário da hipnose, os efeitos alcançados por seu método eram permanentes.

Na técnica de livre associação, o terapeuta libera o paciente de qualquer controle, disciplina ou necessidade de conferir um sentido lógico às suas ideias e, dessa forma, cria-se o cenário perfeito para que ele se deixe levar por seu inconsciente.

Dessa forma, a barreira defensiva se enfraquece e o profissional consegue, enfim, ter acesso ao conteúdo espontâneo do subconsciente.

Para Freud, a exposição das resistências e sua posterior análise é um processo essencial para que o alcance do inconsciente e, consequentemente, seu restabelecimento — e, para ele, isso só é possível por meio da associação livre.

Quais são as principais diferenças entre hipnose e regressão psicanalista?

Embora muitas pessoas confundam as técnicas, a hipnose e a terapia de regressão psicanalista são duas abordagens completamente distintas. A primeira pode ser definida como um dos métodos utilizados para chegar a uma regressão de memória — afinal, existem outras metodologias para esse propósito, como técnicas de respiração e meditação.

Já a terapia de regressão é um processo que visa trazer do inconsciente à mente consciente as interpretações de fatos vivenciados no passado. No entanto, apesar das diferenças, é muito comum que aconteça uma mistura desses dois conceitos.

Confira, a seguir, as principais diferenças entre hipnose e terapia de regressão psicanalista.

Hipnose

Reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a hipnose é um procedimento científico utilizado de maneira transversal em diferentes áreas da saúde. Isso significa que ela não é um recurso adotado apenas por psicólogos.

Hoje em dia, é comum encontrarmos profissionais como médicos e dentistas formados na área. Eles usam as técnicas para bloquear fobias dos pacientes e viabilizar um tratamento mais confortável para cada caso, por exemplo.

Na psicoterapia, a hipnose é empregada como uma ponte entre a dificuldade atual e suas motivações — muitas vezes, reprimidas pelo inconsciente. Nesse contexto, a ferramenta funciona como um recurso complementar, auxiliando no processo de liberação das lembranças e compreensão do comportamento da pessoa.

Regressão

A regressão pode ser definida como uma forma de conduzir a terapia. A técnica utiliza o relaxamento profundo e outras ferramentas — inclusive a hipnose — para possibilitar que as memórias do indivíduo venham à tona.

Normalmente, ela é empregada em duas situações: para que o paciente alcance um autoconhecimento sobre sua verdadeira personalidade e para a eliminação de tristezas, traumas e fobias, além de melhorias em problemas de saúde como asma, enxaqueca, dores, entre outros.

Por ser um recurso que incentiva o conhecimento de si próprio e propõe uma reforma íntima como propósito de evolução espiritual, a terapia de regressão é bastante utilizada por profissionais da área de psicanálise.

Isso porque as respostas para diversos tipos de medos inconscientes, traumas, distúrbios, problemas de sono, ansiedade, dificuldades no relacionamento e tantos outros sintomas estariam na própria pessoa. Dessa forma, a regressão ao passado seria uma maneira eficiente de aumentar o seu autoconhecimento e promover bem-estar para o paciente.

Como você pôde ver, a terapia de regressão é uma ferramenta essencial para auxiliar o psicanalista a melhorar o seu atendimento. Quer saber mais sobre o assunto? Então entre em contato com a SBPI!

1 comentário para este post
  1. Olá!
    As tecnicas utilizadas em um sessão passam pelo conselho?

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