Solidão: entenda como a Psicanálise explica o sentimento

A partir das inovações tecnológicas, tornou-se cada vez mais fácil a comunicação com o outro, mas, em contrapartida, aumentou a intensidade do isolamento social. A prova disso é um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Carnegie Mellon, que mostrou que o uso elevado e constante da Internet, especialmente das redes sociais, como Facebook e Instagram, aumenta consideravelmente o nível de solidão.

É notório que a rotina moderna aumentou o estado de vazio indefinido, existencial. Afinal, atualmente, algumas pessoas até colocam as mídias para moldar e determinar a sua vida social, sua rede de relacionamentos.

Porém, por mais que saibamos que essas redes de contato aumentam o capital social do usuário, as conexões realizadas sem o contato físico, real, proporcionam um verdadeiro sentimento de solidão, angústia, tristeza, falta de sentido.

Mas por que será que as pessoas se sentem solitárias?

De maneira contraditória, a sociedade, a partir do século XX, começou a viver em um paradoxo, no qual, ao mesmo tempo em que se prega a importância da globalização, também se incentiva o individualismo. E é exatamente nesse espaço que a solidão impera.

É bem mais fácil e exige até menos esforço o entretenimento através do mundo virtual, já que as atividades não necessitam de companhias físicas. Também é possível alinhar com o excesso de atividades diárias, especialmente no âmbito profissional.

Além disso, há a desconfiança sobre a intencionalidade da aproximação do outro. E são justamente esses fatores que explicam os sentimentos negativos presentes na realidade dos indivíduos na contemporaneidade.

Como a psicanálise explica o sentimento de solidão?

A solidão é um dos sentimentos mais dolorosos que o ser humano pode experimentar ao longo da sua vida. E as raízes desse sentimento são explicadas a partir da subdivisão do aparelho psíquico, que Freud formula na sua segunda topografia, em 1920, e conceitua como id, ego e superego.

O ego existe desde o início da vida (pelo menos desde a fecundação). Nessa fase, o sujeito descobre seu próprio corpo e o trata como um objeto externo. É uma fase de projeção, na qual o corpo é percebido em segmentos para, depois, ser percebido em totalidade.

Mais tarde, com um segundo processo de identificação, isso toma posse do corpo através do exercício definido como “estágio do espelho”. Essa premissa é necessária para dizer que as vicissitudes uterinas, em particular as fases de apego à autoimagem, serão fundamentais para o desenvolvimento sucessivo da pessoa e para sua inclinação no mundo.

E é a tendência para resolver o conflito através de uma retirada narcisista que marcará o grau de inclinação para a solidão do ser humano.

A psicanálise dita a solidão como afeto inato e preciso ao tratar da subjetivação dos indivíduos. Entretanto, isso não quer dizer que o isolamento é benéfico, e muito menos que não devemos encontrar os fatores para aprimorar a forma pela qual nos relacionamos.

O sentimento de solidão é parte do ser humano e, assim, devemos nos apoiar nele como oportunidade de fortalecimento e amadurecimento emocional. Isso tem como consequência o aprimoramento das relações sociais e a diminuição da negatividade.

Gostou das informações deste post? Agora, que tal ir mais a fundo? Através do estudo da psicanálise, conquiste autonomia para compreender com autoridade as teorias de Sigmund Freud e, ainda, qualificar e analisar as suas relações interpessoais, mesmo que não seja médico ou psicólogo. Aproveite a oportunidade!

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