Afinal, qual é a relação entre psicanálise e vidas passadas?

imagens de vidas passadas

Muitas pessoas acreditam que a psicanálise, utilizando de ferramentas como a hipnose, pode acessar memórias de vidas passadas. É certo que o trabalho do psicanalista gira em torno de lembranças antigas e enterradas no fundo do inconsciente. E é a partir desse trabalho que é possível chegar ao alívio dos sintomas das pessoas.

Contudo, é preciso tomar cuidado para não misturar religião e psicanálise. A crença em vidas passadas é amparada em uma visão religiosa e por isso não deve ser associada à teoria psicanalítica.

No entanto, é impossível negar que várias pessoas apresentam cenas e memórias que estão localizadas em outros tempos e lugares e isso alude a informações preciosas para abrandar seu sofrimento.

Quer entender melhor como a psicanálise entende tais memórias? Continue a leitura e conheça alguns pontos de semelhanças e diferenças entre a terapia de vidas passadas (TVP) e a abordagem psicanalítica.

Memórias que carregamos conosco

É indiscutível que muitas pessoas revivem cenas referentes a outros momentos históricos. A psicanálise não se propõe a falsear tais experiências nem negar a crença de nenhuma religião. Tratando-se de vidas passadas ou não, tais memórias remontam a vivências atuais das pessoas e de como elas podem estar repetindo padrões disfuncionais há bastante tempo.

Assim, o ponto central é que essas memórias estão vivas na experiência psíquica do sujeito. Dessa forma, não faz diferença para o tratamento se a pessoa acredita em vidas passadas ou não. O que importa é a escuta atenta do terapeuta e a possibilidade do alívio dos sintomas quando esses conteúdos são acessados.

Recursos técnicos e interpretações possíveis

No início da psicanálise, a hipnose era utilizada para chegar a conteúdos inconscientes e reviver traumas que foram esquecidos. A TVP utiliza algumas técnicas semelhantes que visam o relaxamento e o contato com experiências pregressas.

A psicanálise acredita que esses traumas ocorreram na história de vida atual do paciente; a TVP, por outro lado, entende que eles estariam relacionados a vidas passadas.

Vamos a um exemplo sobre como a psicanálise interpretaria um caso: Maria narra uma cena em que revive uma vida passada onde foi vendida como escrava a um homem perverso. Mesmo tentando, ela não consegue fugir do cativeiro. O analista percebe um ato falho e posteriormente chega a um fato presente: Maria foi obrigada a se casar com um homem que não queria e se sente presa ao casamento.

Esse pode ser um recurso de Maria para tranquilizar-se, na medida em que entra em contato com esse conflito e não precisa se indispor com sua realidade e suas relações.

Conceito psicanalítico de objeto transgeracional e a TVP

Tal conceito fala de um ancestral que tem relações de identificação, suscita fantasias e dita padrões aos membros da família. A partir da eleição de um objeto transgeracional,  a descarga pulsional do sujeito é transferida para um outro, e, assim, fica mais fácil aceitar e lidar com a realidade.

É possível fazer uma leitura da experiência de contato com uma vida passada relacionando-a com o conceito de objeto transgeracional. Seria como se a pessoa transferisse algo que é seu para um outro (no caso, aquele da vida passada) e assim pudesse acessar conteúdos difíceis que envolvem grande sofrimento psíquico.

A terapia de vidas passadas e a psicanálise se sustentam em diferentes bases, mas têm muitas similitudes. Entender como a psicanálise acredita que as duas terapias ajudam no bem-estar daqueles que são atendidos é o ponto fundamental para a possibilidade de conciliação. Estar bem informado é a chave para não incorrer em equívocos e prestar um bom trabalho. Por isso, é muito importante fazer cursos e se atualizar sempre.

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