Psicanálise e ciúme: o que os psicanalistas nos dizem sobre o tema?

Todo mundo já sentiu ciúme um dia, seja dos pais, de um amigo ou, o mais comum, do parceiro amoroso.  Hoje, com a exposição que as redes sociais proporcionam, pessoas que sentem muito ciúme encontram um grande desafio que requer o exercício do autocontrole.

Diante das visões dos teóricos que relacionam psicanálise e ciúme, vamos destacar algumas questões marcantes que ajudam a entender melhor o que é esse sentimento e de onde ele vem. Vamos lá?

Por que sentimos ciúme?

Se você perguntasse a um psicanalista o que é o ciúme e porque o sentimos, ele diria que esse sentimento é como qualquer outro e representa o medo da perda do objeto ou raiva daquele que pode roubá-lo.

Embora ninguém goste de senti-lo, é esperado que todo indivíduo o experimente ao longo da vida. A ausência completa desse sentimento, segundo o pai da psicanálise (Freud), é sinal de alerta para uma repressão excessiva.

No entanto, o mais comum é o excesso de ciúme, que também sinaliza um desequilíbrio. Entenda mais sobre isso a seguir.

Quando o ciúme se torna excessivo?

Os psicanalistas consideram que podemos distinguir três níveis diferentes de ciúme: o normal ou competitivo, o projetado e o ciúme delirante. Acompanhe a definição de cada um deles:

1. Normal ou competitivo

Antes de irmos para a definição, é importante destacar que, para a psicanálise, todo ciúme tem sua origem no inconsciente — sendo o ambiente externo apenas um gatilho para ativar uma carga emocional já existente.

Nesse nível, considerado normal, o indivíduo experimenta a dor narcísica da perda de um objeto, oscilando entre o luto e a sensação de abandono. Todavia, aqui, a pessoa consegue elaborar esse sentimento e ressignificar sua experiência.

2. Projetado

O projetado ocorre quando o próprio desejo da pessoa é projetado em outro. É aquele caso em que o indivíduo sente o desejo de trair e, por isso, acredita que o outro também sinta.

Essa projeção oferece um certo alívio da culpa pela infidelidade ou apenas pelo desejo de se relacionar com outra pessoa.

Pode vir também de uma história traumática familiar ou de um antigo relacionamento, em que a falta de elaboração da experiência faz com que o indivíduo projete seus medos em toda relação.

Para superá-lo, é preciso um exercício de autoconhecimento como a terapia, a fim de separar o que é do próprio indivíduo e o que é do outro.

3. Delirante

Aqui, temos um nível avançado do ciúme que dificulta uma relação de amor autêntica, uma vez que o indivíduo está focado nas próprias emoções, sendo incapaz de viver a realidade como ela é.

No caso de uma homossexualidade reprimida, por exemplo, os próprios desejos e fantasias com pessoas do mesmo sexo podem resultar em um ciúme delirante em que o indivíduo acredita que o outro tenha atração por outra pessoa.

No entanto, esse julgamento ocorre com base nos seus próprios desejos que não puderam ser satisfeitos, tornando-se uma espécie de perseguição ou paranoia.

Um sentimento relacionado ao ciúme é a inveja. Quer saber o que os psicanalistas pensam sobre isso? Leia então nosso artigo sobre o que a psicanálise tem a dizer sobre cobiça e inveja!

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