Neurociência e psicanálise: entenda melhor essa relação

Há quem veja neurociência e psicanálise como áreas de mundos completamente opostos. Muitos acreditam que para crer em uma é preciso anular o conhecimento da outra. No entanto, isso não é verdade.

A neurociência e a psicanálise possuem muito mais ligação do que se imagina. Conheça agora um pouco mais sobre essa relação e entenda passagens importantes da história desses dois campos do conhecimento.

Freud e a neurociência

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, era neurologista. Toda sua base acadêmica é fundamentada no forte rigor científico regido pelas normas da Medicina.

No entanto, por sua própria observação em pacientes e pela influência de outras práticas, como a hipnose, Freud começou a perceber que havia uma dimensão psíquica que não poderia ser explicada apenas (estrutural e funcionalmente) por conceitos já existentes da Medicina e das teorias comportamentais.

A partir disso, criou o conceito de inconsciente, cuja existência fora fundamentada em estudos de casos clínicos reais e se tornou o eixo central da psicanálise. Após essa descoberta, Freud foi bastante criticado por colegas de profissão e pelo conselho de medicina da época.

Porém, ao mesmo tempo, com a visível eficácia que seus métodos tinham na vida dos seus pacientes, além da forte base teórica que ele mesmo construía, muitos estudiosos se tornaram seus seguidores (na  sua maioria, também, com formação em Medicina).

Engramas: um elo entre neurociência e psicanálise

As memórias sempre foram o principal ponto trabalhado por Freud. Para ele, as memórias inconscientes eram, muitas vezes, responsáveis por neuroses e, em alguns casos, por sintomas físicos, como na histeria, que causava até paralisias temporárias e não tinha qualquer explicação fisiológica.

Por meio da fala dos seus pacientes, somada a seu método interpretativo de associação livre, ele acessava esse conteúdo e, como consequência, observava melhoras nos seus quadros clínicos e, até mesmo, a cura de alguns sintomas.

O conceito de engrama, da neurociência, consiste justamente nessas memórias formadas ao longo da vida (sinapses), que podem ser trabalhadas, modificadas e aprendidas, devido ao que a ciência chama de plasticidade neural ou neuroplasticidade.

Tal ponto se torna um dos elos importantes entre as duas áreas, fundamentando grande parte das descobertas da psicanálise, bem como abrindo caminhos para o estudo e a prática da clínica psicanalítica.

Neuropsicanálise: ela existe

O conceito de Neuropsicanálise vem justamente da tentativa de correlacionar conceitos da neurociência com as descobertas da psicanálise, estabelecendo uma relação que não visa ao desmonte de nenhuma das áreas de conhecimento.

Em 2000, organizado por um grupo de neurocientistas e estudiosos da psicanálise, realizou-se o I Congresso Internacional de Neuropsicanálise, em Londres, idealizado por um comitê de lideranças da área em diversos países do mundo, que acabou dando início à Sociedade Internacional de Neuropsicanálise.

Diante disso, a Neuropsicanálise, como sendo uma área investigativa secundária, se concentra em mapear a organização neurológica de pacientes com base em revelações da psicanálise, atuando em áreas como memória, emoções e motivação.

Estudiosos da área acreditam que a união dos dois campos de conhecimento nessa abordagem traz ganhos para ambos e, principalmente, para seus pacientes e a Ciência como um todo.

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