Inserção da psicanálise na saúde pública

Promover a saúde física e mental da população é um dever do Estado. Por isso, apesar das diferenças de atendimento que podem haver de um local a outro, o fato é que é possível observar que a inserção da psicanálise na saúde pública tem acontecido gradualmente.

Como intervenção psíquica, a linha psicanalítica tem sido difundida nos vários níveis da saúde pública, sendo eles:

  • Nível primário: centros e postos de saúde, Programa de Saúde da Família.
  • Nível secundário: policlínicas, ambulatórios e hospitais.
  • Nível terciário: complexos hospitalares, conhecidos como hospitais gerais com centros de formação.

No entanto, apesar dessa difusão, a função de psicanalista não é regulamentada pelo Estado. Portanto, as conquistas obtidas são relacionadas às alcançadas pela Psicologia.

Mas qual é a importância do atendimento psicanalítico na saúde pública? Que contribuição ele pode oferecer?

A importância da psicologia da saúde

Embora o serviço público de saúde seja prestado predominantemente por médicos, ao longo do tempo observou-se que a promoção do bem-estar dos pacientes exigia mais do que a abordagem da medicina tradicional.

As queixas apresentadas pelos pacientes revelavam que não só o corpo apresentava problemas, mas que fatores psicológicos, sociais e econômicos interferiam de forma marcante no seu estado clínico.

Por outro lado, nos consultórios de psicologia também houve um aumento da demanda por terapias psicológicas focadas em solucionar queixas físicas, levando os profissionais a resgatarem o conceito da interdependência entre corpo e mente.

Essa necessidade levou o psicólogo a ser incluído na saúde pública já na década de 70, período em que ele começou a ter uma ação mais ampla nos cuidados primários, gerando ações de organizações de classe que reivindicavam uma participação maior da psicologia nos serviços de saúde.

Essas reivindicações basearam-se no entendimento que o atendimento psicológico tem um potencial não apenas para curar os pacientes, mas também para prevenir problemas e promover a saúde.

Esse contexto, responsável por inúmeros avanços, conseguiu trazer o psicanalista para as instituições públicas de saúde. Porém, essa inserção aconteceu devido à psicologia, e não especificamente devido à psicanálise.

A psicanálise na saúde pública

Portanto, apesar de estar cada vez mais presente no sistema público, a atuação do psicanalista enfrenta grandes desafios.

Isso acontece porque o exercício da terapia psicanalítica tem algumas características bastante específicas, e sua prática nem sempre converge para os objetivos e as condições encontradas no sistema público, completamente diferentes do consultório.

De acordo com a prática das instituições, o paciente deve se adaptar ao tratamento submetido e suprimir seus sintomas. Trata-se de uma linha mais normatizada, pautada na adequação do indivíduo à realidade.

A psicanálise, por outro lado, preconiza justamente o contrário. Seu foco não são os efeitos terapêuticos, embora eles sejam o resultado natural e não demorem a aparecer. Ela é orientada pela afirmação da diferença e da singularidade, em detrimento da normatização.

Segundo essa corrente terapêutica, é exatamente a possibilidade de trazer à tona o sofrimento — e não a supressão dos sintomas —, por meio de uma escuta analítica, que promove a cura no longo prazo.

Resultados da psicanálise para o paciente

Apesar da divergência entre a abordagem psicanalítica e a filosofia institucional, bem como as condições encontradas pelo psicanalista no serviço público de saúde, é inegável que os pacientes submetidos a ela podem obter diversos benefícios:

  • Minimiza os distúrbios da mente por meio da utilização de técnicas comprovadas.
  • Diminui os sofrimentos com repercussão psicossomática, pois reconhece os sintomas como promotores inconscientes do sujeito na busca de solução para seus conflitos internos.
  • Leva o sujeito ao autoconhecimento, favorecendo tratamentos relacionados a outras especialidades médicas.
  • Reduz os problemas de relacionamento humano derivados da falta de compreensão do ser, o que imprime um ritmo de vida insustentável e causador de sintomas e patologias diversas.
  • Reduz dores ou sintomas físicos apresentados sem causa orgânica ou patologia clínica que os justifique.

Novas formas de adoecer, como depressões, síndromes do pânico e distúrbios alimentares, por exemplo, mostram que as medicações psicotrópicas e a abordagem atual não são suficientes para atender e solucionar a angústia humana.

Portanto, embora desafiadora, a inserção da psicanálise na saúde pública é um recurso imprescindível, que promove o bem-estar do paciente.

Gostou do nosso post? Acha que pode ser útil a alguém? Então compartilhe-o nas redes sociais!

2 comentários para este post
  1. Acredito muito nestes estudos para muitos males que ora nos deparamos.

Deixe uma resposta