Entenda todas as principais áreas da psicanálise

O médico neurologista Sigmund Freud foi responsável pelo estudo e pelo desenvolvimento das diversas áreas da psicanálise como conhecemos hoje, e a sua teoria visa, sobretudo, à compreensão de que nossos desejos e pensamentos são regidos pelo inconsciente.

Ele acreditava que o inconsciente tinha todas as respostas para possíveis desarranjos de ordem mental e, assim, analisava sonhos e os relacionava com desejos reprimidos e com a forma como os seus pacientes lidavam com lembranças do passado.

Alguns campos importantes são a base do conceito e ajudam tanto a descrevê-lo, quanto a explicar um pouco da linha de pensamento de Freud. Acompanhe!

O inconsciente

O inconsciente é definido por Freud como um grande lugar onde ficam as memórias muito antigas e que não estão acessíveis à consciência. Ele diz respeito principalmente aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes e só conseguem ser acessados sob circunstâncias bastante especiais.

Há também alguns materiais excluídos pela consciência, mas de certa forma restaurados pelo inconsciente. Segundo o psicanalista, o inconsciente é a maior parte da consciência e é também onde se armazenam a energia psíquica e o instinto. Erroneamente, o termo subconsciente é usado como sinônimo, mas o próprio Freud abandonou essa prática.

O desejo

Segundo Sigmund Freud, o ser humano tem desejos que podem ser conscientes. Saber o que querem os tais desejos pode vir do inconsciente, não necessariamente por motivos ruins, mas por serem rejeitados pelo consciente, de propósito ou não. Esse é um campo que pode ser muito bem trabalhado pelos psicanalistas nas suas sessões.

Como você já deve ter ouvido falar, também não é incomum que esses tais desejos possam aparecer em sonhos e também ser a base de diversas situações, como atitudes falhas, senso de humor e inclinação para a arte.

A formação de compromisso

A formação de compromisso é o terceiro conceito da psicanálise e é um termo utilizado pelos psicanalistas para explicar a simbologia dos sonhos e a expressão dos conteúdos que são barrados pelo consciente. Em uma linguagem figurada, é o retorno do reprimido, no qual é permitido que o conteúdo se manifeste, mas sem que o indivíduo o reconheça.

O conceito explica que tais sonhos e atos falhos citados são uma vitória do inconsciente na tentativa de se manifestar. A ansiedade de tais desejos reprimidos, que pode ir de encontro à consciência moral do indivíduo, acaba sendo expressada durante o sono driblando determinadas convenções.

A sexualidade infantil

Segundo a teoria de Sigmund Freud, a sexualidade deve ser compreendida muito além do simples ato sexual. O conceito diz que o indivíduo sente prazer em seu corpo desde os primeiros anos de vida, a partir de suas zonas erógenas, embora isso seja percebido de uma maneira completamente diferente.

obra do psicanalista também sugere que a concentração da libido nessas diversas zonas em quantidade muito exagerada pode ser considerada como um sintoma de neurose, de psicose e de perversão.

O complexo de Édipo

Você certamente já ouviu falar do complexo de Édipo, embora seja bastante possível que você não domine muito bem esse conceito. O termo foi usado por Sigmund Freud na sua teoria dos estágios psicossexuais do desenvolvimento, primordialmente descrevendo os sentimentos primários de um menino: desejo pela figura materna e rivalidade pela paterna.

Ele gira em torno da formação de cada indivíduo a partir da convivência e da identificação com outras pessoas. Dentre as possibilidades de afeto percebidas durante a criação, é comum surgir o fato de que o menino tem mais afeto pela mãe e nutre certa rivalidade com o pai. Com as meninas, acontece o mesmo: profunda admiração pelo pai e rivalidade com a mãe.

Freud sugere que o complexo de Édipo desempenha um papel importante na fase fálica da maturação sexual. Ele também acreditava que a conclusão dessa fase envolveria a maior identificação com o tutor do mesmo gênero, o que acabaria por levar ao desenvolvimento de uma identidade sexual mais madura.

Após o complexo de Édipo, que acontece entre os 3-5 anos, cada indivíduo desenvolve uma estrutura permanente de sua personalidade, resultando em neurose, psicose ou perversão. Para a psicanálise, todos os indivíduos sofrem com algum dos três itens, porém o que diferencia uma pessoa de outra é o grau em que os sintomas aparecem.

As estruturas da psique

Entender as estruturas da psique é indispensável para compreender um pouco melhor a obra de Sigmund Freud e as mais diversas áreas da psicanálise. Os conceitos básicos de id, ego e superego explicam o funcionamento da mente humana, levando em consideração os aspectos conscientes e inconscientes.

São as três partes que, quando integradas e atuando em conjunto, determinam e coordenam o comportamento das pessoas. O id é ligado à libido e regido pelo princípio do prazer, sendo considerado inato e relacionado com a ação de impulsos. Está na zona inconsciente da nossa mente, agindo por estímulos instintivos e, portanto, com uma característica amoral.

Já o ego é o componente consciente, relacionado com a percepção, as memórias, os sentimentos e os pensamentos. É dirigido pelo princípio da realidade e tem forte influência nas interações entre um indivíduo e o ambiente que o cerca. É o componente moral e que considera as regras e normas éticas da sociedade e da pessoa. É um mediador da id e do superego.

O superego é a parte inibidora da nossa mente, que atua de maneira contrária à id. É considerado hipermoral e regido pelo princípio do dever. É o componente que faz o julgamento das intenções individuais, agindo de acordo com as heranças culturais em termos de valores e conduta.

A transferência

A transferência é o processo pelo qual os desejos inconscientes se manifestam sobre certos objetos do cotidiano, inclusive indivíduos reais presentes nos relacionamentos diários, sendo uma repetição do modelo infantil experimentado com um sentimento de atualidade acentuada.

Essa é a parte em que o paciente analisado deve dizer ao seu analista tudo o que vem à sua mente. Dessa forma, a pessoa pode transferir para o analista uma identificação que tenha com o pai, a mãe ou alguma pessoa de importância em sua vida.

A pulsão de morte

No início, Freud acreditava que a psique buscava apenas o prazer e que algo que causasse desprazer era visto como um conflito no inconsciente. Porém, alguns anos depois, passou a acreditar que o inconsciente também pode buscar o desprazer e ficar condicionado a repetir essa sensação, mas nem todos os psicanalistas acreditam que essa tese possa fazer parte de sua última obra.

A psicanálise é indicada para todos — que tenham problemas de existência ou não — que desejam aprofundar-se um pouco mais em sua mente e tomar conhecimento de seus níveis de consciência. As áreas da psicanálise são diversas e seus conceitos trazem grandes respostas para algumas perguntas internas.

E você? Já fez psicanálise? Tem vontade de experimentar? Deixe o seu comentário abaixo!

3 comentários para este post
  1. Sim fiz neuro psicanalise com teoria e técnica mas nao seja por isso, Gostei muito do artigo mesmo por que o autor foi bem coerente dentro da obra freudiana

  2. Gostaria de adquirir conhecimentos das teorias lacanianas, principalmente dos seminários que foram proferidos por Lacan. Infelismente não tenho condições financeiras no momento para comprar livros ou os seminários. O que vocês sugerem…

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