Entenda o conceito da sublimação na psicanálise

Ao longo da história da Psicanálise, diferentes conceitos foram postulados. Dentre eles vale citar o conceito de sublimação, criado por Freud e, mais tarde, revisado pelo psicanalista francês Jacques Lacan.

Em toda a obra de Freud, observa-se a importância do outro na formação do sujeito, atribuindo à interação entre o inconsciente e a dimensão social um peso decisivo para o desenvolvimento da personalidade.

Amplamente conhecido, o inconsciente é o centro de toda a teoria da Psicanálise. No entanto, você sabe o que é a sublimação? Quer entender melhor esse conceito? Confira o nosso post de hoje!

O que é o conceito da sublimação na Psicanálise

Diante das diversas repressões que sofremos ao longo da vida, as quais têm origem na educação e em regras sociais, o desejo reprimido precisa encontrar outras fontes de satisfação.

Nesse sentido, podemos dizer que a sublimação é uma saída para um outro processo bastante presente na vida humana: o recalque. A partir do momento em que um desejo recalcado encontra uma outra via de satisfação (aceitável socialmente), ocorre o processo de sublimação.

Na química, esse conceito diz respeito à transformação da matéria em um estado sólido para o gasoso. Já na dimensão moral, corresponde a um processo de purificação. Para os pós-freudianos, é um processo que faz parte da condição humana e que envolve a transformação de um impulso sexual em algo não sexual.

Assim, o sujeito encontra um alívio em projetos de diferentes naturezas — como na arte, na ciência ou no desenvolvimento de talentos a partir dessa energia que precisou encontrar outro destino para ser satisfeita.

Qual a sua importância na formação do sujeito

Como mencionamos, a sublimação tem um papel decisivo na construção social, canalizando a libido para atividades que transformam o ambiente externo. Do ponto de vista individual, o processo é o grande motor do desenvolvimento — intelectual, artístico ou de qualquer outro tipo de crescimento.

Quando não ocorre a sublimação, o recalque se apodera do sujeito, trazendo prejuízos como a estagnação da libido — que pode gerar o que chamamos de neurose. Além do sofrimento psíquico causado, percebem-se prejuízos nas relações interpessoais.

Já na dimensão social, a sublimação é um dos mecanismos que viabilizam a convivência pacífica e a transformação da realidade por meio do trabalho, do desenvolvimento de artefatos, de teorias e de tecnologias.

A releitura de Lacan sobre a sublimação

Como foi dito no primeiro parágrafo, o conceito foi reinterpretado pelo teórico francês Lacan, o qual desconstrói o caráter normativo da sublimação. Para ele, esta vai além da função de adaptação social promovido pelo processo.

O termo, que em um primeiro momento surge ligado à dessexualização, é redefinido por ele. Para Lacan, houve distorções do conceito freudiano ao longo dos anos causadas pelos próprios pós-freudianos.

Segundo ele, o ato sublimatório consiste em um desvio essencial da pulsão, não sendo essa necessariamente de origem sexual, mas direcionada ao desejo. Podemos dizer então que a sublimação aproxima o sujeito do seu desejo, condição original de toda a criação humana.

Gostou de saber mais sobre esse conceito importante da psicanálise? Conte-nos o que aprendeu com esse material e ajude-nos a levantar discussões ricas sobre o tema!

2 comentários para este post
  1. Achei bem interessante!
    Acho que a sublimação é e será sempre a saída para a depressão.
    Entendo que a sublimação evita transtornos maiores.
    Mas, vejo como uma evolução mental, que evita transtornos maiores. Dá ao indivíduo uma volatilidade, nas ações.
    Sem conflitos.

    Espero que me fiz entender. Me corriam se errei. POR FAVOR!
    Grata
    Cleusa Pilar

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