Conceitos de Jung: como os arquétipos contribuem na psicanálise

Carl G. Jung foi um médico suíço que atuou na área da psiquiatria e desenvolveu a Psicologia Analítica ou Psicologia dos Complexos. Foi discípulo de Sigmund Freud contudo, após um período de intensa colaboração entre ambos e crescimento mútuo, acabaram seguindo caminhos distintos em suas teorias e estudos.

Ambos consideravam de grande importância os sonhos como ferramenta para acessar o conteúdo do inconsciente e que este era um grande depósito de memórias e impulsos. Porém, são nítidas as divergências entre as duas correntes, a despeito dessa base em comum.

A partir dessas diferenças e dos conceitos propostos por Jung, vamos entender qual a importância dos arquétipos na prática da psicanálise. Acompanhe!

As diferenças entre Freud e Jung

Freud acreditava que no inconsciente estavam os impulsos reprimidos pela consciência, dentre os quais a libido sexual era o mais importante. Considerava que o psicanalista deveria extrair do discurso do paciente as informações para melhor entendê-lo e auxiliá-lo a suavizar seus traumas e dificuldades.

A visão que Jung tinha da libido era diferente, pois considerava-a como um ímpeto cuja natureza poderia ser variada (fome, intelectualização, etc., inclusive a sexualidade). Além disso, propunha que a análise objetivasse a individuação da pessoa, em um processo de ligação entre consciente e inconsciente para o autoconhecimento.

Contudo, a diferença mais marcante era a existência de um inconsciente coletivo descrito por Jung. Para acessar esse inconsciente, ele propunha o uso de linguagem verbal e não verbal.

Alguns conceitos junguianos

Consciente e inconsciente são os dois lados de uma mesma moeda (o Self ou eu-próprio) e os processos de ambos disputam constantemente espaço. O centro do consciente é o ego e este define-se como a parte mais perceptível do que torna o ser um indivíduo mais as suas memórias.

A livre troca de informações entre ego e Self buscando um equilíbrio permitiria ao indivíduo se desenvolver pelo processo contínuo da individuação.

A imagem escolhida pelo ego para ser mostrada e interagir com o mundo é representada pela persona criada pelo consciente. É por meio dela que o ego apresenta as qualidades que lhe parecem mais vantajosas. Por outro lado, os aspectos negativos devem ser escondidos das outras pessoas e compõem a sombra que habita no inconsciente.

Este, por sua vez, é dividido em individual e coletivo. A fatia correspondente ao inconsciente coletivo seria formada por imagens e vivências tantas vezes repetidas pela humanidade que fariam parte também de cada indivíduo. Essas “memórias” coletivas ou imagens primordiais herdadas tal qual um DNA psíquico da espécie seriam os arquétipos.

Fazem parte dessas imagens coletivas ainda a anima (imagem idealizada de mulher) e o animus (idealização do homem). Ambos determinam o modo como mulheres e homens se relacionam e as expectativas que criam do sexo oposto.

A importância dos arquétipos

Cada indivíduo possui inúmeros e diferenciados arquétipos correspondentes aos diferentes papéis que temos durante nossa existência. Jung chegou a essa conclusão não apenas estudando os seus pacientes, mas analisando e associando figuras e narrações mitológicas. Para ele, os deuses seriam metáforas dos comportamentos ligados aos arquétipos e os mitos seriam as encenações que as explicavam.

Um arquétipo agrega ideias, imagens e emoções a elas associadas que formam os complexos. Eles são componentes naturais e necessários da psique. Em determinadas situações, o complexo é ativado (ou constelado) e surge do inconsciente na forma de ações ou posicionamentos que são fortemente marcados por emoções.

Essas aparições caracterizam o comportamento do indivíduo e, após essa manifestação, o complexo costuma se recolher novamente ao inconsciente. Porém, nos casos em que o complexo se agiganta frente ao ego, escapando de seu controle, surgem as psicoses.

Segundo Jung, cabe ao psicanalista e paciente, juntos, identificar os complexos e trabalhá-los para que eles possam ser controlados pelo consciente. Essa apropriação torna a personalidade cada vez mais enriquecida.

Assim, o trabalho conjunto de conhecimento dos arquétipos e a apropriação gradual dos complexos pelo consciente que constitui a individuação, em teoria, é inesgotável.

Se você gostou desse tema e quer se aprofundar mais, que tal fazer um curso de formação em psicanálise. Além de lhe propiciar o autoconhecimento, esse curso pode abrir novas fronteiras profissionais a você. Invista nessa ideia!

1 comentário para este post
  1. Gostei muito da ideia mas agora não. Até então aproveito a oportunidade para reiterar os meus protestos de estima e elevada consideração.

Deixe uma resposta