Como a psicanálise atua no tratamento de transtornos alimentares

O tratamento de transtornos alimentares é um tema muito discutido atualmente. Esses distúrbios têm diversas origens, que variam desde questões biológicas até valores culturais, alterações genéticas, comportamentos sociais e distúrbios de ordem psicológica.

Para um tratamento verdadeiramente eficaz, é necessário investigar cada uma dessas frentes. Entre as estratégias mais indicadas, a psicanálise no tratamento de transtornos alimentares vem recebendo cada vez mais destaque como forma de superação e compreensão dessas desordens.

Neste post, vamos discutir um pouco sobre a abordagem da psicanálise no tratamento de transtornos alimentares. Confira!

Os transtornos alimentares

O termo “transtornos alimentares” se refere a qualquer perturbação no comportamento alimentar de um indivíduo. Aqui, incluímos desde o consumo compulsivo até a repulsa total por comida, ocasionando ganho ou perda excessivos de peso, sendo a anorexia e a bulimia os dois transtornos mais comuns atualmente.

A anorexia é um distúrbio caracterizado pelo medo absoluto de ganhar peso, que leva o enfermo a recusar o alimento com verdadeira repulsa. A bulimia se caracteriza por episódios pontuais de compulsão alimentar, resultando em medidas de compensação, como uso de laxantes e indução ao vômito.

As mulheres jovens, ocidentais e de classes sociais mais altas são as que mais sofrem de transtornos alimentares, fortalecendo a tese da influência de valores culturais e sociais no desenvolvimento desses distúrbios.

As formas de tratamento

O tratamento de transtornos alimentares depende do caso e da evolução de cada paciente. Em casos mais severos de anorexia, por exemplo, é necessária a internação para alimentação forçada, na intenção de evitar danos ao organismo e até a morte do paciente.

Para pacientes em estados que não ofereçam ameaça iminente à sobrevivência, o ideal é buscar reestabelecer a relação entre indivíduo e comida, para garantir a retomada de um peso saudável e superação de traumas psicológicos.

Aqui, é necessária a atuação conjunta de profissionais de endocrinologia, nutrição, psicologia e psiquiatria, uma vez que tanto a origem quanto o impacto dos transtornos alimentares transcendem o aspecto físico.

A psicanálise no tratamento de transtornos alimentares

A psicanálise vai atuar no tratamento de transtornos alimentares de duas maneiras. A primeira é na investigação das causas que conduziram ao transtorno, de modo a compreender o que está por trás das práticas adotadas pelo indivíduo.

O paciente será levado pelo psicanalista a refletir sobre suas experiências, seus medos, dúvidas e conflitos, que muitas vezes permanecem inconscientes, na intenção de determinar como o transtorno alimentar se desenvolveu e ganhou forças naquele indivíduo. Além disso, incluir a família no curso do tratamento pode ajudar a alcançar resultados mais consistentes.

É possível dizer que os sintomas de transtornos alimentares se desenvolvem como uma espécie de defesa do portador, uma forma de lutar contra algo que o assusta ou causa infelicidade.

Portanto, após a identificação desses gatilhos, o trabalho de psicanálise será direcionado à compreensão e superação deles, para que o paciente tenha condições de se submeter a práticas saudáveis de alimentação de forma consciente e voluntária.

Não é prudente falar em uma cura absoluta de transtornos alimentares por meio da psicanálise. Entretanto, a superação de períodos críticos dos transtornos passa pela recuperação da autoestima, das relações familiares, do convívio em sociedade e principalmente da autoaceitação, objetivos que podem ser alcançados ao longo de períodos contínuos de psicanálise.

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